Prédios verdes ganham mercado

29/04/2010, última atualização em 29/04/2010 04:20



Aos poucos, as chamadas construções sustentáveis começam a ganhar terreno no Brasil. Nem tanto pelos raros incentivos governamentais; um pouco por preocupação com o meio ambiente e pela vantagem de mercado que ela proporciona; e muito por uma questão que interessa a todo empresário: na ponta do lápis, os prédios verdes dão menos despesa. Podem até custar mais caro no começo, mas depois reduzem consideravelmente as faturas de água e luz.

Quatro edifícios brasileiros já têm a certificação LEED (Liderança em Design Energético e Ambiental, na sigla em inglês), a mais famosa do mundo, concedida pelo United States Green Building Council (USGBC), o conselho norte-americano de construções verdes. Outros 55 prédios, em construção ou projeto, se habilitaram. Há três curitibanos na lista. Um deles é o Curitiba Office Park, que a Thá Engenharia está erguendo às margens da Linha Verde. Os outros dois, o Mariano Torres Corporate e o Aroeira Office Park, que solicitaram registro recentemente, ainda não foram lançados.

Casas e edifícios são responsáveis por 45% de todo o consumo de eletricidade do Brasil. É pouco menos que a demanda de todo o parque industrial brasileiro (46%), segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). Se fosse possível tornar sustentáveis todos os prédios e residências, e cada um reduzisse em 30% seu consumo, o país conseguiria poupar 13,5% da energia que consome atualmente. Ou seja, poderia dispensar mais de meia usina de Itaipu

Em Curitiba, um dos exemplos mais recentes é o do hipermercado Condor da Avenida das Torres, aberto em dezembro. Desenhada pelo arquiteto Waldeny Fiuza, a loja usa lâmpadas 45% mais econômicas, capta água da chuva usada na descarga de vasos sanitários, na lavagem de pisos e na irrigação dos jardins e foi feita com materiais de fácil manutenção, que demandam menos água e produtos de limpeza. Segundo Fiuza, o painel isotérmico das paredes e do teto conserva a temperatura interna, reduzindo em pelo menos 30% o uso de ar condicionado.

A Universidade Federal do Paraná (UFPR) também entrou na onda dos prédios sustentáveis. Com consultoria da arquiteta Cris Lacerda, da AsBea, a instituição vai alterar o projeto do novo edifício dos Laboratórios Integrados de Genética Humana, no Centro Politécnico, para adequá-lo aos conceitos de sustentabilidade e registrá-lo na LEED.

Calculadora

As estimativas de custo inicial e de redução de consumo em prédios sustentáveis variam, e muito. Erguer um deles pode custar 10%, 30% ou mesmo 50% mais que construir um convencional, mas há quem defenda que, com um bom projeto, dá para fazer pelo mesmo preço. De todo modo, um prédio verde sempre se paga. Consome, em média, 30% menos água e energia elétrica, e, segundo o Green Building Coucil Brasil, em 20 anos seu valor de mercado aumenta cerca de 20% acima da variação média do setor imobiliário de determinada região.

André Glogowsky, diretor-presidente da construtora paulista Hochtief, conta que a construção de um prédio LEED é de 1% a 7% mais onerosa. Inaugurada há dois anos, a agência do Banco Real em Cotia (SP) primeiro edifício sul-americano a conquistar a certificação custou 30% mais do que uma construção convencional. Mas, segundo os responsáveis pelo projeto, boa parte disso foi por conta do custo do aprendizado e da escassez de fornecedores e produtos adequados na época. Segundo eles, hoje a diferença para uma obra comum não chegaria a 10%.

O custo depende da sofisticação desejada. Painéis solares para geração de energia, por exemplo, encarecem bastante. Mas, com um nível médio de sofisticação, o projeto não fica mais caro, explica o arquiteto Waldeny Fiuza. No Condor, usamos dois mil metros quadrados de painel isotérmico, feito de aço e poliuretano. E ficou mais barato do que se usássemos a alvenaria convencional.

Para Carstens, da AsBea, a boa arquitetura sempre foi sustentável. Um empreendimento tem que ser eficiente já na planta. Se a orientação do prédio em relação ao sol não for boa, por exemplo, você terá que acrescentar uma série de itens artificiais para equilibrar a situação. E aí encarece mesmo.

Fonte: Imprensa GBC Brasil http://www.gbcbrasil.org.br/pt/index.phppag=imprensa_full.php&id=30 Acesso em 05/04/2009



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atualizada em 29/04/2010 04:20

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